As 22 letras hebraicas, a gematria e os caminhos da Árvore da Vida

Rede de nos interligados representando as vinte e duas letras do alfabeto hebraico

Sem as 22 letras hebraicas a numerologia cabalística não existe, porque é delas que sai a base 22 que distingue essa escola de todas as outras. Este artigo tem a tabela completa, a estrutura que o Sefer Yetzirah dá a ela e exemplos reais de gematria.

A tabela completa

Os valores sobem de 1 a 10, depois de dez em dez até 100, depois de cem em cem até 400.

  • Álef 1, Bet 2, Guímel 3, Dálet 4, Hê 5
  • Vav 6, Záin 7, Chet 8, Tet 9, Iod 10
  • Kaf 20, Lámed 30, Mem 40, Nun 50, Sámech 60
  • Áin 70, Pê 80, Tsadi 90, Kof 100
  • Rêsh 200, Shin 300, Tav 400

São 22 letras. O alfabeto hebraico não tem vogais escritas como letras independentes, o que explica por que a leitura cabalística dá tanto peso à consoante.

As três famílias

O Sefer Yetzirah não trata as 22 como bloco único. Ele as divide em três grupos, e a soma dos grupos fecha exatamente em 22.

Três letras mães

Álef, Mem e Shin, associadas ao ar, à água e ao fogo. São as letras de que tudo o mais deriva, e representam o princípio de equilíbrio entre dois extremos.

Sete letras duplas

Bet, Guímel, Dálet, Kaf, Pê, Rêsh e Tav. São chamadas duplas porque admitem duas pronúncias, uma suave e uma dura. O texto as associa aos sete planetas da astronomia antiga e aos dias da semana, e também a sete pares de opostos.

Doze letras simples

Hê, Vav, Záin, Chet, Tet, Iod, Lámed, Nun, Sámech, Áin, Tsadi e Kof. Ligadas aos doze meses e aos doze signos. São as letras do mundo manifesto, do tempo que passa.

Três mais sete mais doze dá 22. Somadas às dez sefirot, formam os trinta e dois caminhos da sabedoria, e na Árvore da Vida cada uma das 22 letras é justamente um caminho ligando duas sefirot.

Gematria, com exemplos reais

Gematria é somar os valores das letras de uma palavra. Diferente da numerologia moderna, o uso tradicional não era descrever pessoas: era encontrar relações entre palavras do texto sagrado. Três exemplos clássicos mostram como isso funciona.

Chai, vida, igual a 18

A palavra chai (vida) se escreve com Chet e Iod. Chet vale 8 e Iod vale 10, somando 18. É por isso que 18 é considerado um número de bom augúurio na tradição judaica, e por isso que doações costumam ser feitas em múltiplos de 18. Não é superstição solta: é uma frase dita em números.

Amor e unidade, ambos 13

Ahavah (amor) se escreve Álef, Hê, Bet, Hê: 1 mais 5 mais 2 mais 5, igual a 13. Echad (um, unidade) se escreve Álef, Chet, Dálet: 1 mais 8 mais 4, igual a 13 também.

A leitura tradicional extrai disso que amor e unidade são a mesma grandeza. E vai adiante: 13 mais 13 dá 26, que é exatamente o valor do Tetragrama, o nome divino de quatro letras (Iod 10, Hê 5, Vav 6, Hê 5).

Como isso chega ao seu nome

A numerologia cabalística moderna aplica essa lógica a nomes escritos em alfabeto latino, o que exige uma tabela de transliteração. É um passo legítimo, mas é um passo moderno, e vale saber disso: a gematria original opera sobre palavras hebraicas, onde cada letra tem valor próprio sem intermédio.

Quem entende essa diferença lê o próprio mapa com a dose certa de serenidade. O sistema é coerente e tem beleza estrutural. Ele só não é a mesma coisa que um rabino do século XII estava fazendo.


A numerologia é uma ferramenta de autoconhecimento e reflexão. Ela não substitui orientação médica, psicológica, jurídica ou financeira.

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