O giz escreve para ser apagado. É um registro feito já sabendo que vai durar uma aula, e essa provisoriedade é o centro do verbete.
O que esse sonho costuma significar
A leitura mais frequente é de registro temporário. Explicação dada, cálculo feito na hora, combinado anotado de passagem. Costuma aparecer quando algo precisa ser mostrado agora e não precisa ficar.
A segunda leitura é de transmissão. Giz é objeto de quem ensina, e no sonho costuma aparecer em quem está explicando algo a outra pessoa, ou precisando que alguém lhe explique.
Variações mais comuns
Escrever no quadro
Transmissão em curso. Repare se havia alguém assistindo.
Quadro sendo apagado
Fim do registro. Comum em transições de assunto ou de fase.
Giz que range
Desconforto físico marcante. Costuma marcar incômodo intenso com algo pequeno.
Giz acabando
Recurso de explicação no fim. Vale olhar se você ainda tem como se fazer entender.
O giz da escola não é feito de giz
A palavra giz designa, na geologia, uma rocha calcária branca e porosa, formada por acumulação de carapaças microscópicas no fundo do mar. É dela que são feitos os famosos penhascos brancos do canal da Mancha. O giz escolar, porém, há muito deixou de ser feito desse material: a maior parte dos bastões produzidos hoje é de sulfato de cálcio, ou seja, gesso, o mesmo material da tala ortopédica e do molde de escultura.
A mudança aconteceu por custo e por consistência, já que o gesso é abundante, barato e permite controlar dureza e produção de pó. E há um detalhe físico conhecido de qualquer sala de aula: o rangido agudo acontece quando o bastão, em vez de deslizar continuamente, prende e solta em alta frequência contra a superfície, vibrando. É o mesmo fenômeno que faz o freio chiar e o arco do violino produzir som. Mudar o ângulo de inclinação do giz costuma resolver, porque altera as condições do contato.
O que a tradição, Freud e Jung dizem
A tradição popular lê giz como ensino, aprendizado e também como o que se apaga com facilidade.
Freud veria o registro apagável em chave de inscrição provisória, marca que não se compromete a permanecer.
Jung trataria o giz como instrumento da transmissão: o saber que passa de alguém para outro e não precisa ficar no quadro.
Quando esse sonho costuma aparecer
Costuma aparecer em quem ensina ou estuda, em períodos de precisar explicar algo e em memórias de escola.
Como interpretar o seu caso
- O que estava escrito?
- Você escrevia ou lia?
- O quadro foi apagado?
- O que você precisa explicar agora, sem precisar que fique registrado?
Anote o sonho antes de levantar da cama, porque a memória onírica se desfaz em minutos, e escreva uma linha sobre o dia anterior. Em duas ou três semanas o padrão aparece sozinho, e ele vale mais que qualquer dicionário.
O que não dá para afirmar
Que giz indique necessidade de estudar. A cena costuma tratar de transmissão e de provisoriedade, que aparecem muito fora da escola.
Interpretação de sonho é ferramenta de reflexão, não previsão. Nenhuma leitura simbólica substitui orientação médica, psicológica, jurídica ou financeira.