Calcular o mapa de um filho é tentador e pede mais cuidado do que calcular o próprio. O motivo não é místico, é psicológico: crianças crescem dentro da descrição que os adultos fazem delas. Esse efeito tem nome, foi estudado, e é a razão pela qual este texto começa por um alerta em vez de uma tabela.
O efeito que muda tudo
Em 1968, dois pesquisadores aplicaram um teste numa escola e informaram aos professores quais alunos estariam prestes a deslanchar. Na verdade, esses alunos haviam sido sorteados ao acaso.
Ao fim do ano letivo, os alunos sorteados apresentavam ganhos maiores que os demais. A única diferença entre eles era a expectativa dos professores.
Vale a honestidade: o estudo original foi muito debatido e replicações posteriores encontraram efeitos menores que os anunciados. Mas a conclusão geral resistiu: a expectativa de um adulto muda como ele trata a criança, e esse tratamento muda o resultado.
Agora transporte isso para o mapa. Se um pai lê que o filho tem número de pessoa dispersa, cada distração passa a ser lida como confirmação, e ele age de acordo. A criança aprende quem ela é pelo espelho que recebe.
A regra que este site sugere
Calcule se quiser, mas não conte à criança e não use o resultado para explicar o comportamento dela.
Dizer a um filho que ele é um 5 e que por isso não termina as coisas entrega a ele uma identidade pronta e uma desculpa. As duas atrapalham, e a segunda gruda.
Se ainda assim você quiser calcular
O procedimento é o mesmo de qualquer mapa. Para uma criança, duas posições costumam interessar mais.
- O Dia de Nascimento, que a tradição descreve como talento disponível desde cedo.
- O Caminho de Vida, que descreveria o tipo de situação que tende a se repetir.
O Número da Expressão também pode ser calculado, lembrando que ele depende do nome, que foi escolhido por você. Nesse sentido, ele descreve mais a sua escolha do que a criança.
Como ler sem rotular
Há uma diferença grande entre duas frases que parecem iguais.
- Rotular: ela é um 3, por isso não para quieta.
- Observar: ela parece precisar de muita saída para expressar o que sente. Será que dá para oferecer mais espaço para isso?
A primeira fecha a criança numa categoria. A segunda transforma a leitura em hipótese e devolve a atenção para o comportamento real, que é onde ela deveria estar.
Quando o mapa diverge do seu
Essa situação aparece muito e costuma ser o uso mais proveitoso de todos.
Um pai com perfil de estrutura e uma filha com perfil de movimento vão se desencontrar em coisas cotidianas: horário, arrumação, planejamento. Ter uma linguagem para essa diferença ajuda o adulto a lembrar que não se trata de desobediência, e sim de ritmo diferente.
Repare que o ganho veio de o adulto suspender o julgamento, e não de o número estar correto.
Onde não entrar de jeito nenhum
- Escolha de escola, de turma ou de atividade em cima do mapa.
- Explicação de dificuldade de aprendizagem. Isso pede avaliação profissional, e quanto antes melhor.
- Comparação entre irmãos, que é das coisas que mais marcam.
- Qualquer questão de saúde, comportamento persistente ou sofrimento da criança.
O que não dá para afirmar
Que o mapa descreve a personalidade de uma criança ou antecipa o que ela será. Crianças mudam muito e rápido, e descrições fixas envelhecem mal. O que dá para afirmar, com base em pesquisa, é que a expectativa do adulto tem efeito. Por isso, aqui mais do que em qualquer outro lugar, vale usar a numerologia como pergunta, nunca como veredito.
A numerologia é uma ferramenta de autoconhecimento e reflexão. Ela não substitui orientação médica, psicológica, jurídica ou financeira.