Os quatro naipes do tarô: de onde vieram e quando viraram elementos

Quatro objetos sobre madeira escura: uma taça de latão, uma moeda gasta, um punhal curto e um bastão de madeira

Copas, ouros, espadas e paus. Os quatro naipes do tarô parecem tão naturais que ninguém pergunta de onde vieram, e eles têm endereço: atravessaram o Mediterrâneo vindos do mundo islâmico, no fim do século XIV, quase intactos.

O naipe que mudou de objeto

No baralho mameluco, os quatro naipes eram taças, moedas, espadas e tacos de pólo. Os três primeiros chegaram à Europa sem problema: todo mundo conhecia taça, moeda e espada.

O quarto não fazia sentido nenhum. Pólo não era praticado na Europa, e a figura de um taco curvo não dizia nada a um jogador italiano. O desenho foi lido como bastão, e bastão ficou. É o que hoje chamamos de paus.

Por que o tarô ficou com os naipes latinos

No século XV, fabricantes franceses simplificaram os naipes para baratear a impressão, trocando as figuras complexas por formas chapadas e fáceis de estampar: coração, losango, pique e trevo. Esse baralho barato conquistou o mundo e é o que está hoje em qualquer banca.

O tarô, porém, já circulava com os naipes italianos e assim permaneceu. É por isso que o baralho de truco e o de tarô parecem parentes distantes, embora o segundo seja o que guardou a forma mais antiga.

Os elementos chegaram muito depois

A associação de cada naipe a um elemento — copas com a água, ouros com a terra, espadas com o ar e paus com o fogo — não é medieval. Ela foi estabelecida por ocultistas ingleses no fim do século XIX, junto com todas as outras tabelas de correspondência daquele período.

E nem ali houve consenso. Algumas escolas trocam espadas e paus de elemento, com argumentos razoáveis dos dois lados, e essa divergência sobrevive até hoje em livros que se contradizem sem avisar o leitor.

O que cada naipe cobre na leitura

  • Copas: afeto, vínculo, o que se sente e o que se compartilha
  • Ouros: dinheiro, corpo, trabalho, o que se sustenta materialmente
  • Espadas: pensamento, palavra, conflito, o que se decide
  • Paus: impulso, projeto, iniciativa, o que se começa

Essa divisão por domínio é mais antiga e mais estável que a atribuição elemental, e funciona mesmo para quem não adota elemento nenhum.

O que não dá para afirmar

Não há base histórica para dizer que os naipes foram escolhidos para representar classes sociais, elementos ou estágios espirituais. Eles eram objetos reconhecíveis que serviam para distinguir quatro conjuntos de cartas, e todo o resto foi atribuído depois.

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