Até o começo dos anos 1990, a placa brasileira dizia de onde o carro era antes mesmo de alguém ler a cidade escrita nela: a cor do fundo identificava a categoria e o estado organizava a própria numeração. Era bonito e era um problema.
A padronização dos anos 1990
O formato de três letras seguidas de quatro algarismos foi adotado nacionalmente a partir de 1990. A novidade não era só estética: as faixas de letras foram distribuídas entre estados e municípios, de modo que o início da placa indicava onde o veículo tinha sido emplacado.
A conta de combinações é simples. Três letras do alfabeto dão 17.576 possibilidades, e quatro algarismos dão 10 mil. Multiplicando, o sistema inteiro comporta cerca de 175 milhões de placas. Parece muito até lembrar que cada faixa de letras ficou presa a uma região, e que faixas populosas se esgotam primeiro.
Por que foi preciso mudar
A frota brasileira passou de poucos milhões a dezenas de milhões de veículos em três décadas. Com faixas regionais fechadas, várias delas chegaram perto do limite, e redistribuir letras entre estados criaria confusão em cadastro, multa e seguro.
A saída foi trocar o formato. No padrão adotado a partir de 2018, são quatro letras e três algarismos, dispostos em ordem alternada: três letras, um algarismo, uma letra e mais dois algarismos. Essa única troca eleva o total para cerca de 457 milhões de combinações.
A regra de conversão
Quem troca a placa antiga pela nova não recebe um código sorteado. A conversão é direta: as três letras e o primeiro algarismo permanecem, e o algarismo seguinte vira a letra correspondente na ordem do alfabeto, com o zero virando A, o um virando B, o dois virando C, e assim por diante. Os dois últimos algarismos ficam como estavam.
Uma consequência pouco comentada: o novo padrão deixou de identificar o estado pelas letras. A informação de origem passou a depender do cadastro, e não da leitura visual.
O que isso tem a ver com numerologia
A placa é um número de fila. Ele é emitido em sequência pelo órgão de trânsito, dentro de uma faixa definida por critério administrativo, e acompanha o veículo, não a pessoa. Quem soma os caracteres está lendo a ordem de cadastro.
A prática, suas tabelas e seus limites estão em numerologia da placa do carro.
O que não dá para afirmar
Não existe placa de sorte nem combinação proibida por motivo simbólico. Há, sim, sequências evitadas por decisão administrativa em alguns países, por formarem palavras ofensivas, o que é questão de linguagem, e não de número.


