Pamela Colman Smith: a ilustradora do tarô mais vendido do mundo

Mesa de ilustrador com vidros de tinta, pincéis num pote e uma folha de papel em branco

O baralho de tarô mais vendido da história foi inteiramente ilustrado por uma mulher que recebeu um pagamento único pelo trabalho, não ficou com nenhum direito sobre ele e morreu endividada. O nome dela é Pamela Colman Smith.

Antes do tarô

Nascida em Londres em 1878, filha de americanos, passou parte da infância na Jamaica e estudou arte em Nova York. Voltou à Inglaterra e construiu uma carreira variável e interessante: ilustrou livros, desenhou cenário e figurino para teatro e se apresentava contando histórias em público, atividade que levava a sério.

Foi por esse meio artístico que chegou à ordem ocultista londrina onde conheceu o homem que lhe encomendaria o trabalho. Ela tinha pouco mais de trinta anos quando aceitou.

A inovação que mudou o tarô para sempre

Até 1909, os arcanos menores de praticamente todos os baralhos traziam apenas o símbolo do naipe repetido, como o cinco de copas de um baralho de truco: cinco taças organizadas na carta, sem cena nenhuma.

Smith desenhou uma cena narrativa em cada uma das 56 cartas menores. Isso mudou o aprendizado do tarô de forma radical. Com cena, a carta conta uma história que a memória segura sozinha; sem cena, é preciso decorar uma tabela de significados.

É por isso que esse baralho virou padrão mundial e serve de base para a imensa maioria dos baralhos temáticos publicados desde então. A inovação foi dela, e foi de desenho.

O crédito que demorou

Por décadas o baralho foi chamado pelo nome do autor do conceito e da editora que o publicou. A ilustradora ficava de fora, embora o monograma dela apareça discretamente em todas as cartas, no canto inferior.

Ela morreu na Cornualha em 1951, com dívidas, e seus pertences foram leiloados para quitá-las. Nas últimas décadas, a prática de citar o baralho acrescentando o sobrenome dela se tornou comum, e é o crédito justo.

O que isso tem a ver com a leitura de hoje

Quase tudo. Quando alguém diz que uma carta significa tal coisa porque a figura está olhando para trás, ou porque há uma nuvem no canto, está lendo escolhas de composição feitas por uma ilustradora em 1909.

Isso não esvazia a leitura, e localiza a autoria. O símbolo que se interpreta tem artista, data e intenção, como está tratado em Tarô: as 78 cartas e a história.

O que não dá para afirmar

Não se sabe exatamente quanto ela recebeu nem quanta liberdade teve em cada carta. As fontes indicam orientação detalhada para os arcanos maiores e bem mais autonomia nos menores, o que explicaria a força narrativa justamente dessas 56. É leitura plausível das evidências, e não documento assinado.

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