Os animais que aparecem nas cartas raramente estão ali por decoração. Eles entram carregando séculos de uso em fábula, brasão e sermão, e o ilustrador conta com isso: ninguém precisa explicar o que um leão representa.
Os mais frequentes
- Cão: lealdade, companhia, instinto doméstico. Às vezes também o aviso que alguém não escuta
- Leão: força, apetite, aquilo que precisa ser conduzido em vez de vencido
- Cavalo: movimento, impulso, a energia que carrega e que pode disparar
- Pássaro: pensamento, recado, perspectiva de cima
- Peixe: o que vem de baixo, do que não se vê da superfície
- Serpente: renovação pela troca de pele e, ao mesmo tempo, risco
A bagagem não é universal
Aqui entra a ressalva que quase nenhum manual faz. Esses sentidos vieram da cultura europeia cristã, e não valem em todo lugar. O cão é companheiro leal numa tradição e animal impuro em outra. A serpente é cura num contexto e ameaça em outro, às vezes na mesma página.
Quem lê no Brasil carrega ainda outra camada, vinda do folclore e das tradições de matriz africana e indígena, em que vários desses bichos têm sentido próprio. Isso não atrapalha: enriquece, desde que a pessoa saiba qual camada está usando.
Como usar na prática
O animal funciona melhor como indicador de registro, e não de conteúdo. Ele costuma dizer em que nível a cena acontece: instintivo, mental, emocional, territorial. Uma carta com pássaro e uma carta com peixe tratam do mesmo assunto em alturas diferentes.
E vale sempre a primeira pergunta: o animal está solto, preso, acompanhando, atacando ou de costas? A postura diz mais que a espécie.
O que não dá para afirmar
Não existe dicionário fechado de animais no tarô, e baralhos modernos trocam bichos de carta com frequência, às vezes substituindo fauna europeia por fauna local. O que vale é o que aquele animal significa dentro daquele baralho e para quem está lendo.
