Numerologia dos dias da semana: por que faltam o 4 e o 7

Fileira de sete cabides de madeira gastos em uma parede de cozinha, alguns com chaves

O português é quase uma exceção na Europa: em vez de dias com nome de planeta, temos segunda-feira, terça-feira, quarta-feira. Essa particularidade tem história documentada, e entender de onde vem explica por que atribuir números aos dias da semana é mais complicado do que parece.

Por que no Brasil os dias são feiras

Em francês, lundi vem da Lua, mardi de Marte, mercredi de Mercúrio, jeudi de Júpiter e vendredi de Vênus. Em inglês acontece o mesmo, com os deuses nórdicos equivalentes. O português trocou tudo isso por numerais.

A mudança é tradicionalmente atribuída a Martinho de Dume, bispo de Braga no século VI, que teria promovido o uso dos nomes litúrgicos da Semana Santa para o ano inteiro, substituindo os nomes pagãos. A palavra feira vem do latim feria, que significava dia de guarda, dia sem trabalho. Por isso segunda-feira é, literalmente, o segundo dia santo. Os dois dias que escaparam mantiveram nomes religiosos de outra origem: domingo vem de dies Dominica, o dia do Senhor, e sábado vem de sabbatum.

A ordem dos planetas e o resto 3

A sequência que sobrevive nas outras línguas não é arbitrária, e a explicação é aritmética. Na ordem caldeia, os sete corpos vêm do mais lento ao mais rápido: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. Cada hora do dia teria um regente, seguindo essa roda. Como o dia tem 24 horas e os regentes são 7, e 24 dividido por 7 deixa resto 3, o regente da primeira hora do dia seguinte salta três casas na lista. Faça esse salto sete vezes e você obtém exatamente a ordem dos dias da semana que o mundo usa. Esse mecanismo está detalhado em numerologia caldeia.

Os números atribuídos a cada dia

A partir dos regentes, as tabelas modernas chegam a esta correspondência:

  • Domingo — Sol — 1
  • Segunda — Lua — 2
  • Terça — Marte — 9
  • Quarta — Mercúrio — 5
  • Quinta — Júpiter — 3
  • Sexta — Vênus — 6
  • Sábado — Saturno — 8

O detalhe que quase ninguém comenta

Olhe a lista acima e repare no que falta: não existe dia 4 nem dia 7. A razão é histórica e verificável. Nas tabelas modernas, o 4 é associado a Urano e o 7 a Netuno, e esses dois planetas só foram descobertos em 1781 e 1846, com telescópio. A semana de sete dias já estava fixada havia milhares de anos. Ou seja, a tabela de números e a semana vieram de épocas diferentes e nunca se encaixaram por inteiro.

Isso vale como aviso geral: toda vez que uma correspondência simbólica deixa buracos assim, a causa costuma ser histórica, e não misteriosa. O mesmo raciocínio aparece em numerologia e astrologia.

Como usar isso na prática

O uso mais defensável é como camada secundária. Se você já calcula o dia pessoal, descrito em mês pessoal e dia pessoal, o número do dia da semana pode servir como contexto: a mesma sexta-feira tem um tom para você e outro para todo mundo. Agendar tarefas de detalhe na quarta porque Mercúrio rege comunicação é costume antigo, e na prática funciona mais por organizar a semana do que por qualquer influência.

O que não dá para afirmar

Nenhum dia da semana é melhor ou pior para assinar contrato, viajar, começar tratamento ou casar. A própria contagem de qual dia inicia a semana muda de país para país, e o calendário que usamos passou por reformas que deslocaram datas inteiras. Decisão importante se marca pelo que cabe na sua agenda e pelo prazo de quem depende dela.


A numerologia é uma ferramenta de autoconhecimento e reflexão. Ela não substitui orientação médica, psicológica, jurídica ou financeira.

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