Quase toda carta ilustrada tem uma hora do dia, e quase ninguém repara. É uma informação barata e muito útil: a luz da cena diz em que fase do ciclo aquela situação está, antes mesmo de qualquer significado decorado.
As quatro faixas
- Amanhecer: começo, potencial ainda sem forma, o que foi decidido e não aconteceu
- Dia pleno: ação em curso, tudo à vista, nada escondido. É a luz da maior parte das cartas de trabalho e de conquista
- Fim de tarde: balanço, colheita, cansaço. A hora em que se conta o que deu e o que não deu
- Noite: o que não se vê, o interno, o que acontece sem testemunha
Repare que isso não diz se a carta é boa ou ruim. Noite não é má notícia: é a hora em que certas coisas acontecem e outras não conseguem acontecer.
O que fazer com isso na mesa
A comparação rende mais que a carta isolada. Uma mesa inteira em luz de dia descreve um assunto que está todo à vista. Uma mesa em que a primeira carta é noturna e a última é clara sugere um percurso saindo do escuro.
E há o caso que mais chama atenção: uma única carta noturna no meio de cartas claras. Costuma ser ali que está o assunto que ninguém quis mencionar.
Uma observação sobre a lua e o sol
Alguns baralhos desenham o astro explícito no céu, outros apenas sugerem a hora pela cor. Nos dois casos a informação é a mesma, e vale não confundir essa leitura de atmosfera com atribuição astrológica, que é outra camada, montada no fim do século XIX e descrita em a Golden Dawn e o tarô.
O que não dá para afirmar
A hora desenhada não indica hora real de acontecimento nenhum, nem estação do ano. É recurso de atmosfera, e em muitos baralhos foi escolhido por razão puramente estética, para variar o ritmo visual entre cartas vizinhas.


