Zodíaco chinês na Coreia e na Mongólia: guardiões e outra conta

Nos arredores de Gyeongju, na Coreia do Sul, há túmulos reais do período Silla cercados por figuras de pedra: doze guardiões com corpo humano e cabeça de animal, um para cada signo do ciclo. Não são enfeite. Eram vistos como proteção, cada um responsável por uma direção e um período do tempo.

Coreia: o ddi e os doze guardiões

Em coreano, o signo animal de uma pessoa se chama ddi, e perguntar o ddi de alguem é uma forma socialmente aceita de descobrir a idade sem perguntar diretamente. A sequência e os ramos são os mesmos do sistema chinês.

Os doze guardiões, chamados sibijisin, aparecem na arte funerária, em relevos de templo e em pinturas. Essa personificação em figuras protetoras é uma marca da versão coreana, mais presente ali do que na chinesa.

Por que o ano pesava tanto na Coreia

A Coreia manteve por séculos uma contagem de idade própria, em que a pessoa nascia com um ano e ganhava outro na virada do ano, e não no aniversário. Em 2023 o país adotou oficialmente a idade internacional para fins legais e administrativos, justamente porque a convivencia de sistemas gerava confusão.

Isso ajuda a explicar por que o ano de nascimento, e portanto o ddi, funciona na Coreia como marcador de geração e de hierarquia, mais do que como descrição de personalidade.

O Ano Novo coreano

Seollal é o Ano Novo lunar coreano e cai, em regra, na mesma data do chinês, porque usa o mesmo princípio lunissolar. Diferente do Japão, que transferiu a festa para 1º de janeiro, a Coreia preservou a data lunar.

Mongólia: Tsagaan Sar

Na Mongólia, a virada do ano é Tsagaan Sar, a Lua Branca, e os doze animais também estão lá com nomes mongóis. A diferença está no cálculo: a astronomia usada é de influência tibetana, com parâmetros próprios.

O resultado é que Tsagaan Sar nem sempre coincide com o Ano Novo chinês. Há anos em que a diferença é de um dia e anos em que a defasagem é bem maior, porque os dois sistemas tratam de modo diferente a inserção do mês extra que acerta o calendário lunar com o solar.

O ciclo viajou e foi reescrito

Versões do ciclo dos doze aparecem também entre povos turcos e na Ásia Central, com substituições locais de animal relatadas em diferentes fontes. Como essas variações foram registradas em épocas e lugares distintos, convêm ser tratadas com cautela, e não como lista fechada.

O que se sustenta com segurança é o padrão: a estrutura de doze ramos viajou longe e foi adaptada ao calendário, à fauna e à língua de cada lugar. É o mesmo que se vê no caso vietnamita e no caso japonês.

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