Os sinais de mais, menos e igual têm inventor e data

Compasso e outros instrumentos de desenho em latão sobre feltro verde-escuro

A gente aprende os sinais de operação como se fossem parte da natureza dos números. Não são. Cada um deles foi inventado por uma pessoa, num ano específico, e levou décadas para ser aceito. Antes disso, matemática se escrevia em frases.

O igual, e a frase que explica o desenho

O sinal de igual apareceu em 1557, num livro de álgebra do galês Robert Recorde. Ele justificou a escolha de duas linhas paralelas com uma frase que virou célebre: porque nenhuma outra coisa pode ser mais igual do que duas retas do mesmo comprimento.

A motivação era preguiça produtiva. Recorde escreveu que estava cansado de repetir, página após página, a expressão completa para dizer que dois lados valiam o mesmo. Levou quase um século até o símbolo se tornar padrão.

O mais e o menos vieram do depósito

Os sinais de adição e subtração apareceram impressos pela primeira vez em 1489, num livro de aritmética comercial alemão. E não eram operadores: marcavam excesso e falta em contagem de mercadoria, como quem anota que um barril veio sobrando e outro faltando.

Foi preciso que outros autores os puxassem para dentro do cálculo até virarem o que são. A origem explica a intuição que todo mundo tem: mais é o que sobra, menos é o que falta.

A lista com data

  • Mais e menos, impressos em 1489
  • Raiz quadrada, em 1525
  • Igual, em 1557
  • Vezes, na forma de xis inclinado, em 1631
  • Infinito, em 1655
  • Dividido, com o traço entre dois pontos, em 1659

O sinal de vezes teve oposição de peso: Leibniz reclamava que o xis se confundia com a incógnita e preferia o ponto, que acabou convivendo com ele até hoje. Quem escreve álgebra usa o ponto; quem ensina as primeiras séries usa o xis.

Como era antes

Em frases. Uma equação de segundo grau podia ocupar um parágrafo inteiro, com expressões como o quadrado da coisa somado a tantas coisas iguala tanto. A álgebra existia, mas cada passo exigia leitura atenta de texto, o que tornava erro fácil e generalização difícil.

A notação simbólica não foi um detalhe de estilo: foi o que permitiu enxergar estrutura. Com símbolo, dá para ver de relance que dois problemas diferentes têm a mesma forma.

O que isso tem a ver com numerologia

Serve de lembrete contra a tentação de ler sentido no desenho de um símbolo. Os sinais que usamos têm menos de quinhentos anos, foram escolhidos por conveniência tipográfica e poderiam ter sido outros. O mesmo vale para a forma dos algarismos, assunto de a história dos algarismos.

O que não dá para afirmar

As datas se referem à primeira aparição impressa conhecida, e não necessariamente à invenção. Manuscritos anteriores podem ter usado formas parecidas sem que tenham chegado até nós. A história da notação é um campo de pesquisa ativo, e novas descobertas mudam detalhes com alguma frequência.

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