Térreo ou primeiro andar: por que o mundo discorda

Caixa de escada vista de baixo para cima, com os patamares girando em direção a uma clarabóia

Você entra num prédio em São Paulo, sobe um lance de escada e chega ao primeiro andar. Faz o mesmo em Nova York e chega ao segundo. Ninguém se mexeu de lugar: mudou só onde a contagem começa.

Dois mundos

No Brasil, em Portugal, na maior parte da Europa e da América Latina, o nível da rua tem nome próprio e não entra na contagem. É o térreo, e o andar seguinte é o primeiro. Nos Estados Unidos, no Canadá, no Japão e na Rússia, o nível da rua já é o primeiro andar.

As duas lógicas são coerentes. Uma conta degraus vencidos: zero lances, andar zero. A outra conta níveis existentes: o primeiro piso em que se pisa é o primeiro. É a mesma dúvida que atravessa a história dos números, e que levou séculos para se resolver quando o assunto era o zero.

O botão do elevador denuncia

Em prédio brasileiro, o botão do nível da rua costuma ser a letra T, e às vezes o algarismo zero. Em prédio americano, é o número 1, embora apareça com a letra G em edifícios de linhagem britânica. Hotel internacional é onde a confusão mais acontece, porque o hóspede carrega a convenção de casa.

E o andar que não existe

Há uma segunda camada de desencontro. Muitos edifícios altos pulam o décimo terceiro andar por superstição, e em boa parte da Ásia pula-se o quarto, e às vezes todos os que terminam em quatro, porque a palavra soa como morte em várias línguas da região.

O andar continua lá, com sua laje e suas janelas. Só recebeu outro nome. Isso significa que o número do andar nem sempre informa quantos pisos existem abaixo dele, o que torna qualquer leitura literal desse número bem frágil.

O que isso tem a ver com numerologia

A leitura do número do apartamento é prática comum, e quase sempre o número começa pelo andar. Vale saber, então, que esse dígito depende de uma convenção local e pode ter sido deslocado por superstição de incorporadora.

A lista do que de fato se usa na leitura de um imóvel está em numerologia do endereço, e a história da fama do treze, em por que o 13 dá azar.

O que não dá para afirmar

Nenhuma das duas convenções é mais correta, e nenhuma delas afeta quem mora no andar. O que elas afetam é projeto, contrato, endereçamento e a chance de alguém descer no piso errado com a mala na mão.

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