O zodíaco chinês é conhecido pelo ciclo de doze animais, mas o calendário tradicional trabalha com um ciclo bem maior: o de sessenta anos. Entender de onde vem esse número explica por que não basta dizer que alguém é do Dragão, e por que o aniversário de sessenta anos tem peso especial na Ásia Oriental.
Dez troncos e doze ramos
O sistema combina dois conjuntos. De um lado, dez troncos celestes, ligados aos cinco elementos em versão yang e yin. De outro, doze ramos terrestres, que são os sinais associados aos animais. Cada ano recebe um tronco e um ramo, formando um binômio.
A conta que surpreende é esta: dez vezes doze daria cento e vinte combinações, mas apenas sessenta ocorrem. O motivo é que os dois ciclos avançam juntos, um passo por ano, e nunca se cruzam fora de passo. Como os dois conjuntos têm números pares, troncos ímpares só encontram ramos ímpares e troncos pares só encontram ramos pares. O total de pares possíveis é o menor múltiplo comum de dez e doze, que é sessenta.
Esse é também o motivo de não existir, por exemplo, um Dragão de Madeira yin: a polaridade do animal é fixa, e só combina com troncos de mesma polaridade.
Por isso o signo não se repete a cada doze anos
O animal volta de doze em doze anos, mas o elemento acompanha outro passo. Em 2024 o ano foi Dragão de Madeira, binômio Jia Chen, na posição quarenta e um do ciclo. O Dragão anterior, em 2012, foi de Água. O próximo Dragão de Madeira só acontece em 2084.
Vale o mesmo exemplo para o ano atual. Em 2026 o binômio é Bing Wu, Cavalo de Fogo, posição quarenta e três. O Cavalo de Fogo anterior foi em 1966, exatamente sessenta anos antes, e esse retorno tem uma história demográfica que vale conhecer à parte.
O ciclo começou contando dias
Um detalhe histórico que costuma passar em branco: o ciclo de sessenta foi usado primeiro para numerar dias, e só muito depois para numerar anos. Inscrições chinesas muito antigas, feitas em ossos usados em práticas oraculares, já registram a contagem de dias por esse sistema. A contagem de dias nunca foi interrompida, o que faz dela uma das séries contínuas mais longas de que se tem registro.
O ciclo recebe o nome de ganzhi, junção das palavras para tronco e ramo, e é chamado também de ciclo jiazi, em referência ao primeiro binômio da sequência.
Completar o ciclo é motivo de festa
Como o ciclo tem sessenta anos, quem chega aos sessenta volta ao binômio exato do próprio nascimento. Essa volta é celebrada em várias culturas da região como marco importante, e não apenas como mais um aniversário redondo.
No Japão a comemoração se chama kanreki, e a palavra significa literalmente retorno do calendário. O costume tradicional inclui presentear o aniversariante com peças vermelhas, como gorro e colete, numa referência ao vermelho das roupas de bebê: a ideia é que a pessoa completou uma volta inteira e recomeça. Na Coreia existe celebração equivalente, com nome próprio e banquete.
É uma das poucas situações em que um sistema de calendário produz diretamente um ritual de vida. Quem quiser conferir o próprio binômio completo pode usar a calculadora de signo chinês, que informa animal, elemento, polaridade e posição no ciclo de sessenta.