Antes de existir relógio de ponteiro na China, o dia era dividido em doze períodos de duas horas, cada um com o nome de um ramo terrestre e, por extensão, de um animal. Esse sistema continua sendo usado no zodíaco até hoje: quem sabe a hora de nascimento ganha uma segunda camada de leitura.
As doze horas duplas
- Rato: das 23h à 1h, atravessando a meia-noite.
- Boi: da 1h às 3h. Tigre: das 3h às 5h.
- Coelho: das 5h às 7h. Dragão: das 7h às 9h.
- Serpente: das 9h às 11h. Cavalo: das 11h às 13h.
- Cabra: das 13h às 15h. Macaco: das 15h às 17h.
- Galo: das 17h às 19h. Cão: das 19h às 21h.
- Porco: das 21h às 23h.
Repare no detalhe mais importante: a hora do Rato não começa à meia-noite, ela a atravessa. O dia tradicional começa às 23h, e isso tem consequência prática para quem nasceu nesse intervalo, porque algumas escolas consideram que o pilar do dia já mudou.
De onde vem cada animal
As justificativas tradicionais são observações de comportamento animal, e funcionam como regra de memorização: o rato é mais ativo na calada da noite, o boi rumina de madrugada, o tigre caça antes do amanhecer, o cavalo fica de pé ao meio-dia, o galo se recolhe ao poleiro no fim da tarde, o cão vigia ao anoitecer e o porco dorme pesado antes das 23h.
São explicações folclóricas, acrescentadas depois que a associação entre ramos e animais já existia, e vale apresentá-las assim. O sistema de doze períodos é muito mais antigo que os bichos que o nomeiam.
A briga entre doze e cem
Aqui está o fato que quase nunca se conta. Paralelamente às doze horas duplas, a China usava um segundo sistema para medir o dia, dividindo-o em cem partes iguais chamadas ke. Os dois conviviam: um para marcar grandes períodos, outro para medidas mais finas.
O problema é aritmético e incomodou astrônomos por séculos: cem não é divisível por doze. Cada hora dupla ficava com oito partes e uma sobra, o que complicava qualquer cálculo. Houve tentativas de mudar o total para cento e vinte e para noventa e seis em diferentes épocas, e a solução de noventa e seis acabou se firmando no período Qing, justamente porque noventa e seis dividido por doze dá oito exato.
É um ótimo exemplo de como calendários são obras de engenharia, cheias de ajustes feitos para que as contas fechem.
O que a hora acrescenta à leitura
Na prática tradicional, o animal da hora compõe um dos quatro pilares da análise, junto com ano, mês e dia. Em leitura popular, ele costuma ser descrito como a face mais privada da pessoa, em contraste com o animal do ano.
Vale evitar uma confusão comum: o animal da hora não é equivalente ao ascendente da astrologia ocidental. São conceitos de sistemas diferentes, com cálculos diferentes, e a semelhança é superficial. Quem souber a hora de nascimento pode conferir o próprio animal na calculadora de signo chinês.