O código de barras: como ele se corrige sozinho

Linha vermelha de laser de um leitor de supermercado brilhando sobre um balcão escuro

Em 26 de junho de 1974, num supermercado do estado de Ohio, um pacote de chiclete passou por um leitor óptico e o preço apareceu sozinho no caixa. Foi o primeiro produto escaneado comercialmente no mundo, e aquele pacote está guardado em museu até hoje.

Começou com um desenho na areia

A patente é de 1952, duas décadas antes. Dois inventores americanos procuravam um jeito de ler preço automaticamente, e a saída veio do código Morse: pontos e traços riscados na areia e depois puxados para baixo, virando linhas finas e grossas.

O desenho original não era de barras paralelas, e sim de círculos concêntricos, como um alvo, para poder ser lido em qualquer ângulo. A ideia era boa e a tecnologia não existia: faltavam o laser barato e o computador de caixa. Quando os dois chegaram, nos anos 1970, o formato retangular se mostrou mais prático de imprimir.

O que está escrito ali

O padrão mais usado fora dos Estados Unidos tem treze algarismos, e eles se dividem assim:

  • Os primeiros identificam a organização nacional onde o código foi registrado. No Brasil, começam com 789 ou 790.
  • O bloco do meio identifica a empresa fabricante.
  • O bloco seguinte identifica o produto específico daquela empresa.
  • O último é dígito verificador, calculado a partir de todos os anteriores.

As barras das pontas e do meio não são dado: são referência. Elas dizem ao leitor qual é a largura de uma unidade e em que direção o código está sendo lido. É por isso que funciona de cabeça para baixo e com a embalagem torta.

O mito do país de origem

Circula muito a ideia de que o prefixo revela onde o produto foi fabricado. Não revela. Ele indica apenas onde a empresa se filiou para obter o código. Uma empresa brasileira pode registrar aqui e fabricar fora, e uma multinacional pode usar o prefixo da sede para itens produzidos em dez países diferentes.

Quem quer saber a procedência precisa ler o rótulo, que é onde a informação é obrigatória, e não o código.

O que isso tem a ver com numerologia

É mais um número que parece carregar significado e carrega estrutura administrativa. Somar os algarismos de um código de barras descreve, no máximo, a sequência de cadastro de um produto numa base de dados.

A mesma conferência que o código faz sozinho está explicada em o dígito verificador.

O que não dá para afirmar

Não há nada escondido num código de barras além do que foi descrito, e as teorias sobre símbolos ocultos nas barras de referência confundem marca de calibragem com mensagem. Aquelas barras existem para o leitor saber onde começa e onde termina o código.

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