A Água fecha e reabre o ciclo dos cinco elementos chineses. É a fase do recolhimento máximo, do que se guarda e do que corre por baixo, e também a que alimenta a Madeira e faz tudo recomeçar. Na tradição, é o elemento ligado ao inverno, à profundidade e à reserva.
Quais anos são de Água
Pela regra do último algarismo, são de Água os anos terminados em dois, na versão yang, e em três, na versão yin. Assim, 2022 foi Tigre de Água e 2023 foi Coelho de Água. Antes deles, 2012 e 2013 foram Dragão e Serpente de Água.
Como sempre, a conta vale para o ano lunar. Quem nasceu em janeiro de um ano terminado em dois, por exemplo, provavelmente pertence ao ano anterior, de Metal.
As duas águas
O tronco Ren, Água yang, é descrito como oceano ou rio caudaloso: volume grande, movimento constante, força que molda a paisagem com o tempo. O tronco Gui, Água yin, é descrito como orvalho, neblina ou chuva fina: presença sutil, que penetra onde o volume não entra.
As duas imagens descrevem maneiras diferentes de chegar ao mesmo lugar. Uma atravessa por pressão e a outra por infiltração.
A Água nos dois ciclos
No ciclo de geração, a Água nasce do Metal, por condensação, e alimenta a Madeira, fechando a volta. No ciclo de controle, ela apaga o Fogo e é contida pela Terra, que forma margem e dique.
Essa dupla posição, de fim e de recomeço, é o que dá à Água o caráter de reserva. Ela não é o inverno como morte, e sim como guarda: o que se recolhe agora alimenta o próximo crescimento.
Correspondências tradicionais
- Estação: inverno.
- Direção: norte.
- Cor: preto, e em algumas fontes azul muito escuro.
- Planeta: Mercúrio.
O planeta mais difícil de ver
Mercúrio é o mais próximo do Sol e, por isso, o mais complicado de observar a olho nu. Ele nunca se afasta muito do Sol no céu, o que o deixa visível apenas por curtos períodos, baixo no horizonte, logo antes do amanhecer ou logo depois do anoitecer, sempre competindo com a claridade.
Há uma história muito repetida de que Copérnico teria morrido sem jamais ter visto o planeta, por causa das brumas do Báltico. O relato circula amplamente e é difícil de comprovar, então vale contá-lo como anedota e não como fato estabelecido. O que é verificável é a dificuldade em si: guias de observação astronômica tratam avistar Mercúrio como um objetivo que exige planejamento de data, de horário e de horizonte limpo.
A correspondência com a Água ganha sentido nesse contexto. O planeta esquivo, que aparece pouco e some rápido, recebeu o elemento do que corre por baixo e não se deixa ver inteiro.
Com este fecham-se os cinco. Para entender como eles se alimentam e se contêm, vale o texto sobre os ciclos de geração e controle.