Tabela pitagórica das letras: a tabela e por que o nome engana

Caixa de tipos de impressor em madeira com muitos compartimentos vazios, vista de cima

Quase todo cálculo de nome neste site passa por uma tabela que converte letras em números. Vale ter essa tabela à mão, entender a lógica dela e, principalmente, saber de onde ela veio, porque esse último ponto costuma ser contado errado.

A tabela

São três fileiras de nove letras, e a última fica incompleta porque o alfabeto tem 26 letras:

  • 1 — A, J, S
  • 2 — B, K, T
  • 3 — C, L, U
  • 4 — D, M, V
  • 5 — E, N, W
  • 6 — F, O, X
  • 7 — G, P, Y
  • 8 — H, Q, Z
  • 9 — I, R

A regra por trás é simples: pegue a posição da letra no alfabeto e reduza somando os dígitos. O T é a vigésima letra, e 2 mais 0 dá 2. O Z é a vigésima sexta, e 2 mais 6 dá 8. É a mesma redução usada em datas, aplicada à ordem alfabética.

Por que ela não é de Pitágoras

Aqui está o ponto que raramente aparece. A tabela é chamada de pitagórica, mas Pitágoras viveu no século VI a.C. e não usava o alfabeto latino. Mais que isso: o alfabeto latino da Antiguidade nem tinha todas as letras desta tabela. O J, o U e o W são acréscimos medievais e modernos, resultado da separação entre I e J e entre V e U.

Ou seja, uma tabela que atribui valor ao J e ao W não pode ser grega antiga, por impossibilidade material. A atribuição a Pitágoras é do século XX e cumpre a função de dar antiguidade a um sistema recente, exatamente como acontece com a tabela caldeia, tratada em numerologia caldeia. O que Pitágoras de fato pensava sobre números está em Pitágoras e os números.

Isso invalida a tabela?

Não no sentido prático, e vale ser preciso. A tabela é uma convenção, e convenções funcionam enquanto todos usarem a mesma. O que a origem recente invalida é o argumento de autoridade: não dá para defender um resultado dizendo que vem de uma sabedoria de dois mil e quinhentos anos, porque não vem.

Onde as tabelas discordam

A tabela caldeia atribui valores diferentes e não usa o 9 para letras. O resultado é que o mesmo nome rende números distintos conforme a escolha. Não há como decidir qual está certa, porque não existe nada a que comparar. A postura honesta é escolher uma, dizer qual foi e não misturar no meio da leitura, como se discute em quando os cálculos discordam.

O que não dá para afirmar

Não existe correspondência demonstrada entre letra e número, e a própria existência de tabelas concorrentes mostra que a escolha é arbitrária. A tabela serve para dar um procedimento repetível a quem quer usar o método, e é exatamente isso que ela é: um procedimento.


A numerologia é uma ferramenta de autoconhecimento e reflexão. Ela não substitui orientação médica, psicológica, jurídica ou financeira.

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